rochele zandavalli

A série é composta por fotografias instantâneas e que foram realizadas entre os anos 2000 e 2016. São registros pessoais, autobiográficos, que não tiveram a pretensão de serem expostos como arte na sua origem, mas que alcançaram uma densidade que me fez repensar a sua importância, significação e potência. A estética vernacular, bem como as falhas e as eliminações, são potencializadas no sentido de simbolizarem as imperfeições da vida e das relações afetivas. A fragilidade do artifício da fotografia como memória se apresenta nos ruídos e na incompletude das imagens. Essas imagens são nossos fantasmas desbotados, mas também são luzes ofuscantes, como no primeiro olhar. Pura ironia: na tentativa de eternizar a vida, registamos a sua impermanência. Eu me atrapalho, pois me ensinaram que é preciso acertar sempre, e fazer durar. Eles nos venderam a ilusão de que na maior parte do tempo estamos certos, mas nessa busca pela idealizada felicidade estamos constantemente envoltos em ruídos e tentativas que se sobrepõem, se fundem, se tornam difusas. Eu me atravesso. Erro e acerto não existem.

O projeto gerou um livro de artista com tiragem de 100 exemplares, lançado pela editora Cactus Edições. O livro possui 64 páginas em papel pólen e fiz intervenções com folha de ouro em algumas imagens. O trabalho foi exposto no Acervo Independente, Porto Alegre, Brasil; Encontros da Imagem, Braga, Portugal ; Outono Fotográfico, Ourense, Espanha.