rochele zandavalli

A série Todos esses novos adoradores do sol foi produzida a partir de 2013. Os principais conceitos que estão presentes nesse trabalho são: o simulacro, a relação entre natural e artifício, efêmero e eterno, juventude e impermanência, desejo e consumo, vida e morte. Na captação de imagens da natureza há uma separação com o referente. Ele continua vivo e irá aos poucos, perecer, mas na fotografia ele permanecerá pausado; nela o referente precisou morrer para se eternizar, para encontrar a durabilidade no artificial. As imagens aproximam o homem e a natureza, porém enfatizam a passagem do tempo, a fragilidade da vida. A fotografia e a arte, assim como toda a cultura, são construções que pretendem consolar-nos poeticamente, buscando uma representação eterna diante da iminência da morte e do desaparecimento.

Philippe Dubois alerta: “é disso que se trata em qualquer fotografia: cortar o vivo para perpetuar o morto”. Trata-se de decapitar o tempo, e proteger o instante de sua própria perda. “De furtá-lo para o revestir melhor e exibi-lo para sempre”.