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Você é natural?

 

As questões da memória e do passar do tempo, norteadoras do projeto Rever, reaparecem aqui em forma de dúvida. E é no terreno da dúvida que caímos ao pensar se somos naturais ou artificiais. Abre-se aí um ponto de discussão sobre a incapacidade da apreensão do natural através da fotografia. A cultura e a produção de imagens são vistas aqui exatamente como um filtro, como lente. Ao mesmo tempo em que se assumem como ferramenta do conhecimento também geram distanciamento. A garota busca reaproximar-se quebrando o vaso que contém as flores, na tentativa de, amarrando-as, devolvê-las à vida, à natureza.  Ao contemplarmos alguma vista da natureza, sentimos a vontade de também cristalizá-la, eternizar o efêmero e transitório, assim como pretendiam os impressionistas ou os outros pintores paisagistas. O fascínio, a atração está na vida contida na natureza, uma vida pulsante.

 

 “A virada – tecnológica –, longe de destruir o ‘valor paisagem’, ajuda, inversamente, a demonstrar seu estatuto: com efeito, a tecnologia evidencia a artificialidade de sua constituição como paisagem”.

CAUQUELIN, Anne. A invenção da paisagem. São Paulo: Martins Fontes, 2007. p. 16.